UNIVERSO DE DATILOGRAFIAS
Eu matei minha poesia quando deixei de ser o que nós seríamos e passei a ser esse vazio que nada diz. E que eu não sei por qual motivo. Se porque dói ou se porque sara. Não compreendo se está tudo entalado na garganta e falta pouco para eu explodir jajá ou se eu desisti de um jeito que perdi até as palavras. Eu as perco e as digito porque oscilo no que sinto e nenhum cinto prende o que sempre sou. Eu não sinto. Sinto muito, mas muitíssimo mesmo, não sentir tanto quanto já. Não chorar. Eu queria chorar e secar tudo que resta. Sinto-me vazio de um cheio inexplicável. Pergunto-me se indelével. Se sara ainda ou se sarou. Eu não choro, eu não tenho, eu não obtenho expectativas menos fugazes que as atuais em arrumar um colo novo para descansar meus prantos. Meus pratos, minha porcelana facial e meus tantos jeitos perfeitos de amar alguém e imperfeitos de repelir um amor. Eu chorei antes do antes do começo, no começo, no meio, no centro da linha sem divisões de tempo, em todos os fins. Eu chorei em todos os momentos e agora… Agora que não acabou, não começou, não meiou ou melhorou, mas que você partiu… Agora que você partiu dessa para uma, a seu ver, melhor, meu corpo fecha as torneiras. Não goza, não chora, não troca saliva, não sua. Eu matei minha poesia porque não transpiro. Antes, amor, agora, arrepio. Arrepios não sabem falar, nem explicar, nem encher, nem esvaziar. Eles são consequência.
Porque cada um acredita no que quer. Na verdade que quer, na mentira que quer, no personagem que prefere. Porque, neste instante em que aquela estrela cadente passou eu ganhei mais uma oportunidade de ter um sonho realizado. Mais um meio de acreditar que a minha fé move o céu, oscila o universo. Não abala estes fantoches espalhados nestas esquinas tortas à vontade, mas me mobiliza. Há quem considere frívolo; há quem creia fielmente na própria descrença divina, e dizem essa contradição com, que irônico, fé; e, há quem afirme que ao fazer um pedido para uma estrela cadente você estará fazendo um pedido para uma pedra vinda do espaço que fatalmente se desintegrará. Porém, quem garante que ao não fazê-lo você não está dissociando uma esperança? Afinal, ao ver de quem é positivo deixar de acreditar na magia do Natal, na Fada Dos Dentes e mais?
Eu sou um sonho. Um sonho colorido… Ou o que pode vestir uma camisa de cor específica para agradar alguém. Eu sou um rastro de escritor e jamais serei um livro vivo. Meus livros me vestem e eles ainda não são vivos. Às vezes eu sou obscuro quando estou sozinho, e consigo ficar sozinho quando, por exemplo, converso do meu modo, serelepe a milanesa, com mais de uma pessoa, mesmo que ao vivo e a cores, mesmo com um sorriso verdadeiro e colorido… Posso ser sozinho. Eu sou complexo. Complicado ao ponto de estar acompanhado de mim mesmo em frente a um espelho branco, azul, verde, grande ou transparente e apenas isso ser suficiente. Às vezes sou demente. Vago de mente em mente e me perco só quando tenho que entender o que se passa no meu consciente. Eu sou confuso, mas porque sonho… Sonho com os pés no chão. Quem se dispõe a ser um sonho deveria ter asas… E o céu inteiro como amor. E a terra inteira como demônio. E o fogo todo como precipício que te leva ao mar, que por fim seria o fim. Quem sonha não podia ser realista, e sou. Não deveria caminhar, e corro. Quero ser coisas demais e não posso dizer que não consegui nada, mas também não sou meio termo. Por que pretendo ser um termo inteiro? Porque eu sonho com um amor que me complete, que me descomplique, que me confunda na hora do ”quem ama mais” e me deixe na eterna dúvida. Eu não sou escritor. Se eu escrevesse, preferiria romances. Se eu escolhesse desde já, escreveria minha biografia. E se fosse um bom enredo… Que seja! E que também tenha uma boa venda, mas sem final.
Mas não adianta querer se não fizer por onde. Não adianta que todos os ventos, regras, dogmas, pessoas e árvores conspirem a favor se você não bater o pé e disser que vai, que consegue. Eu já disse ”não que eu queira, mas vou” e também já desisti, mas agora eu quero de verdade deixar para nunca mais. Não quero deixar para depois, não quero recordar dos quase e dos infinitos meios que intermediaram tudo. Não quero vingança. Não quero coisas como ”nunca mais quero amor”, isso não convém a mim. Sou brando demais para deixar o amor em si passar. Quero que passe. Que passem todas essas memórias e vontades, todas essas tristes maldades que já pensei, falei e fiz comigo por causa da obsessão pelos sentimentos. Não estou falando dos sentimentos que tenho por você, mas sim desses que eu insisto em sempre ter por alguém, por qualquer pessoa. Como se todas as pessoas merecessem amor, assim, de graça. E olhe que eu não sou o tipo de pessoa que ama por nada. Nunca distribuí ‘’eu te amo’’ para qualquer um. Eu apenas dou oportunidades para todas as pessoas… Vejo o lado bom delas na maioria dos casos. O problema é meu pequeno problema com a infame da carência (nada que não se ajuste), que insiste em gostar demais de certas pessoas dentre estas todas, quando me parecem doces e um pouco diferentes das várias que já tive o prazer ou o desprazer de conhecer. Em um encontro casual, um amigo elevou espanto ao me ouvir dizer que já fiquei um tempo em minha vida sem amores; ele não quis acreditar. Eu sou o amor, eu sou toda essa chama e riso que todos veem passar leve e elétrico, por isso o espanto. Eu, que dou tanto valor a encantos em cima de uma pele masculina quando a olho, senti nesta situação uma saudade indelével de não sentir nada. Depois senti um vapor gostoso-quente no cérebro e arrepio nos pelos do corpo proporcionados por uma adrenalina renovada passando pelo sangue. São delas que necessito arduamente; novidades. Rostos, corpos, piadas, gargalhadas e histórias novas de casos novos, e sem amor. Quero permanecer sendo o amor, mas simplesmente sem doá-lo, porque quando doo, é como se a minha doença ficasse online, já começo a querer de volta e a tendência é apenas querer mais, e ”querer” é um verbo odiado pela minha autoestima (porém amado pelos donos da sorveteria da esquina).
Quando a gente estava junto era tudo tão leve, era tudo tão vento, tão brisa macia, tão meu, mas passou. Passou rápido demais, como o sopro que bate nas portas e janelas, como os furacões que arrastam vidas e vilas, então passei mal. Quando o momento é nosso pode passar Catrina e outros mil, mas na cena do nosso seriado só quem tem cachê é o riso. Ou talvez o risco. O risco de ser feliz demais, tanto ao ponto de querer mais do que o mundo deixa ou quer. Ouça bem, meu bem: eu quero mais! Quero mais de você, e quero todos os dias, porque o certo é desejar apenas coisas boas, tanto para si como para o próximo. Vou passar mal de saudade se o intervalo entre os seus abraços, cheirinhos, carícias e malícias forem longos como uma fila de banco ou supermercado. Eu tenho medo de você não precisar de mim como eu percebi que preciso de japoneses, ou quase isso. Desculpe-me se for exagerado da minha parte me viciar tão rápido em substâncias perigosas, brancas, lindas e de olhos puxados. E desculpe-me de coração pela minha mania possessiva de chamar de ‘’meu’’ tudo aquilo que me dói dividir, é que talvez eu ame poucos, mas acredite, amo muito.
Confesso autêntico pessimismo, drama sem vírgulas, compra de sofrimentos desnecessários e viagens em via dupla. Confesso que perdi oportunidades imperdíveis de me libertar daquele sequestrador falsário. Confesso: o medo é mais meu refém que o contrário. Sempre foi assim, todo esse tempo. Confesso-te que dei moral desmerecida para muito “juíz” intrometido decidir meus passos, quando cria na minha falta de sabedoria. Concordo que não sei muito de álgebra e geometria, mas sei que na própria vontade, mesmo que certa vez repugnante e/ou idiota, todos merecem ter o poder da palavra. Confesso gostar de elogios, carinhos, declarações e flores, mesmo não sabendo lidar com nada disso. Tenho no cérebro um altar feito especial e unicamente para aqueles que abdicaram de um grande tanto para utilizar gentileza. Admiro, invejo e imito! Confesso ser a favor de todo modo de expressão, errada ou certa, corajosa ou não.
Fico pensando se domino alguém, se enfraqueço as pernas, se arrepio. Tantas pessoas são o meu chão. São tantas que meu coração já se tornou um edifício. Então imagino se alguma “terra” treme quando eu apareço, se algum coração se põe aflito, ou corre da aflição em direção à boca. Se alguém sonha com meu beijo, ou se acelera por inteiro quando eu surjo todo elétrico e desajeitado. Nessa bilhões de mentes, não canso de me perguntar se alguma lá dentro me prende. E cria diálogos teatrais, anda de mãos dadas, vive um sonho, tudo e tal. Todo dia me pergunto pelos infinitos da imaginação incansável que sempre me visita. Visita de gente nada rica: chá ruim, xícara quebrada, peta vencida e tia encalhada.
Tenho medo da palavra covarde, sua fonética me assusta. Sinto-me asfixiado com a palavra coragem, ela me deixa sem enegias, causa um efeito inexplicável em mim. Isto porque sou medroso, é por isso.
Perdi as contas de quantas vezes tive tudo, tudo, eu repito, em minhas mãos, em meu poder, no meu alcance, e me subiu o medo a cabeça. Como disse, perdi a conta.
E diga-me agora se há algo de fato que explique de forma convincente o que leva a uma pessoa que tem um limão e duas mãos a não conseguir dar um passo à frente e fazer uma limonada. Não há.
O que há, são pessoas bem como eu, que tem medo até do que a própria sombra pode vir a fazer consigo mesmo. Que tem medo de se engasgar com água, de ser trocado, medo de mudanças e às vezes, medo das pessoas. Medo de si mesmo.
Me chame de covarde, e terá a prova de que nem ligo mais, pouco importa. Não tenho medo de admitir que o meu maior medo é de um dos limões estar ruim, e a limonada ficar muito horrível. Temo é o arrependimento que surgirá, me sentirei mal por não ter pegado os limões bons, quer dizer, as pessoas e situações boas. Porque se a mistura não der certo, a culpa será minha, e as consequências eu sofrerei.
Deparo-me mais uma vez com o fato que me arde os miolos. As palavras “atitude”, “agir”, “fazer”, suas respectivas e “limonada”, não existem em meu vocabulário; “dúvida”, “medo”, “covarde”, suas respectivas e “limão”, ocuparam todo o espaço que sobrou.
invenar
+f aqui é lindo <33

Obrigado, querida. O teu espaço é um tanto lindo também, não poderia deixar de seguir. Grande beijo!

18/06/2014 às 9:49am · ask me too?

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