UNIVERSO DE DATILOGRAFIAS
Vou lhes contar a história de José.
Aparentemente, era uma tarde como outra qualquer. José jamais imaginava, nem em seus melhores sonhos, a chance de achar uma lâmpada mágica no meio do deserto. José estava descalço e caminhava sob a luz escaldante do sol de meio dia. Ansiava por água; seus lábios rachados como o solo do sertão.
José sentiu o pé esquerdo arder em brasa e pisou em falso, rogando praga pelos sete ventos — mesmo sabendo que não havia vento algum. José, já cansado, se abaixou para apanhar o objeto escondido no amontoado de areia. Ele o puxou e o limpou. Parecia um bule, mas possuía um bico na extremidade direita. José logo viu que se tratava de uma lâmpada. Mágica ou não, só havia um jeito de descobrir.
Como quem anseia por água, José foi com sede demais ao pote. Passou-lhe as mãos não só uma ou duas vezes, mas várias. Ele observou o dia virar noite e daquele momento em diante José sabia que estava salvo. Um enorme Gênio fora regurgitado para fora da lâmpada. Repare que eu não disse “gênio” e sim “Gênio”. Gênio porque não se tratava de um gênio comum, não para José. No momento em que o Gênio soltou a voz, José sabia que ele seria seu Aladdin. Como primeiro desejo José decidiu sair dali e assim o Gênio o fez. O levou para uma ilha próxima ao deserto, cheia de árvores, frutas e água corrente. Para quem passou dias perdido, aquilo era o paraíso. O Gênio, por sua vez, se apegou a José por um longo período, mas o sentimento se esvaiu após passar um ano esperando que seu Aladdin pedisse por seu segundo desejo.
Depois de um certo tempo, José finalmente caiu em si e resolveu fazer seu pedido. Obediente, o Gênio se prostrou em sua frente e esperou as palavras de seu amo. José pediu que o Gênio ficasse com ele para sempre, disse-lhe tudo que sentia, que não imaginava sua vida sem ele e esperou ansiosamente que seu desejo fosse concedido. Tarde demais. O Gênio olhou-o nos olhos e disse-lhe que tal pedido não era permitido e que por esta razão só restava-lhe um único desejo.
José ficou arrasado, pensou bastante, passou horas criando forças para conseguir dizer-lhe o que queria. Enquanto isso, o Gênio o aguardava, paciente como sempre, fitando o homem com seus olhos puxados, que sempre davam a impressão de que estavam fechados. José cruzou seus olhos aos dele e se levantou. Pediu desculpas por ter sido tão idiota e disse ao Gênio o que queria: José desejou que ambos voltassem ao deserto, para que ele pudesse achar a lâmpada novamente e tentar, de alguma forma, tornar as coisas diferentes. O que José não sabia era que já tinha achado a lâmpada, que já tinha saído do deserto, que já tinha estado na ilha e que já tinha fracassado nas tentativas anteriores. Quanto mais tentava reconquistar o seu Gênio, mais ele se afastava. José não sabia que tudo aquilo era seu carma. Estava fadado a reencontrar seu amor várias vezes e jamais tê-lo para si.

“We saved him. Rachel was his soulmate.”

— Quinn Fabray

As pessoas estão ficando loucas. Fazem o que querem e bem entendem. Inventam gostar, mas não têm paciência para relacionamentos, acho que paciência é pouco, acho que falta é coragem. Se deu algo de errado, elas simplesmente encerram o relacionamento, é como mudar de roupa. Não tentam, não se corre atrás, não ligam, não lutam para dar certo, não choram mais. Não acho que essa é a melhor forma de se buscar a felicidade. Não acho que dessa forma alguém chega a algum lugar. O amor não é como copos descartáveis, não é como blusa fora de moda, não é nada disso que estão pintando por aí. O amor não pode ser jogado fora, não dá pra fazer plástica, não dá pra simplesmente desprezar. Há muito mais por trás e tem tanta gente que nem cresceu ainda e diz que já amou na vida. A luta pelo amor é feita diariamente, como doses de morfina.
É que eu nunca acho o que eu queria. E nunca quero o que eu acho que queria, sabe? Nunca me basto, nunca me bastam. Nunca me completam. Tem sempre algo faltando quando nada deveria estar faltando. Às vezes é milímetros pra preencher, mas falta. Eu quero mais, eu quero tudo, eu quero o mundo, eu quero nem que seja um pouquinho a mais. Não só a metade de alguma coisa, um sentimento morno, algo normal, eu quero o que mereço. Quero o que eu ainda nem sei se existe, talvez pra poder inventar. E, de vez em quando, dá um desânimo de tanto procurar. E se no final for só isso mesmo? Essa busca inalcançável por algo que não tem nome, nem endereço, telefone, algo que seja suficiente pra mim, que baste.
Mas tá tudo bem, sério. Eu acordo todo dia lá pras 6 horas, tomo o meu café, como qualquer coisa e saio. Tenho meu dia normal, até demais pro meu gosto, durmo um pouco à tarde, leio uma dessas revistas, como um pouco quando acordo e penso um pouco na vida. É sempre assim. Aí lá pras 7 horas da noite, enquanto eu tô sentado assistindo algo completamente imbecil na televisão, ou vendo um desses posts chatos na internet, dá aquela saudade, sabe? Sei lá, aquela vontade de te apertar, de mandar qualquer coisa besta no celular, de te gritar, ou ligar e dizer que foi sem querer. Sei lá, só pra você falar alguma coisa comigo e eu ficar lembrando dessa coisa o resto da noite. Qualquer coisa que fosse uma coisa inexplicável. Nem sei que coisa seria essa. É que, eu disse que tá tudo bem, mas tá tudo bem mesmo, é só que, eu acho, sei lá, que com você provavelmente estaria muito melhor, só tenho vergonha de dizer.
Desculpe pelo sorriso que não dei, pelo carinho que não fiz, pelo olhar que não encontrou o teu.
Desculpe pelo oceano que não atravessei, pela montanha que não escalei, pela estrela que não te dei.
Desculpe pelo tempo que perdi, pelo dia que não vivi, pelo sentimento que não senti.
Só não peço desculpas pelo amor que em mim cresceu, pelo tempo que ele viveu e por ele não ter deixado de existir.
Também não vou pedir pelo sonho que vivi, pelo sorriso que aprendi deixar sair e nem pelo palpitar do meu coração quando vi teus olhos.
Também não vou pedir desculpas pelos segundos que ao sentir teu toque me transportei para o paraíso e me senti completo.
Não me desculpe também por te amar, como nunca amei e como nunca vou amar, pois amo você de forma única, um amor do meu jeito, mas que é… Amor.
Quando você diz algo sobre amar, sobre amor, tenho a impressão que não é apenas um rosto que tu vês diante dos olhos, nos teus sonhos. Várias caixinhas vão guardadas no fundo do teu coração. Cada uma delas com uma dose de carinho por alguém. Vez ou outra, abre uma delas e se delicia com as memórias dos dias bons ou se angustia com as dores da distância.
O sentimento diante de cada uma delas é o mesmo, embora os rostos diferentes. Você os recolhe, fechando a caixa rapidamente, como se flagrando-se em um crime, recolhe a si mesmo. Tranca-te.
Tu’alma não suporta doses tão grandes de sentimentalidade sempre. Tens uma alma convalescente dos desvarios e desenganos. Por isso finge-te forte nos dias comuns.
É como se eu te visse, neste momento acessando algo hoje proibido, pelas desventuras do tempo e pelos acontecimentos que a vida nos traz. Mas sei também que te delicia a cada lembrança, a cada momento bom que guardastes dentro de ti. Embora haja o mundo a tua volta, teu espírito segue em luto, calado. E se juras hoje e antes um amor eterno é para distrair-te da tediosa necessidade de fugir te si mesmo.

"Meu coração sempre soube te guardar no lugar errado. Na parte mais intensa, mais complicada, mais frágil."

— Datilógrafo

Não digo, não porque é um segredo ou seja fatal. Não digo, não pela arrogância que não a pratico ou a insegurança de um olhar firme e corajoso pra te enfrentar. Não digo, não por medo de te tornar estático ou pela possibilidade de você fugir e nunca mais voltar. Não digo, não pelas razões que me fazem sorrir e me sentir livre. Não digo, não pelo desespero ou por acreditar que é precipitado. Não digo, não pela rejeição ou gestos arquitetados. Não digo, não pela sua tentativa de me fazer acreditar que tudo o que vivemos é uma rota de fuga, um degrau a ser superado pelas pernas cansadas de tanto caminhar rumo à lógica cruel de seus desajustes. Não digo, não pelo sol que fez o dia parecer apático neste domingo. Não digo, não por ser o seu pecado. Não digo, não por esperar um beijo depois das palavras. Não digo, simplesmente, porque você não quer ouvir, não quer saber da minha verdade, não quer se indispor consigo mesmo, porque não quer que seu céu desabe e faça tempestades. Não digo, porque seu coração está fechado e seu castigo é viver em silêncio. Não digo e nunca direi, porque guardei esse sentimento que preferi aceitar do que lhe dizer.

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